Se o corpo humano tivesse uma equipe de bastidores, o fígado seria aquele colega que resolve tudo sem fazer alarde. Ele processa, limpa e guarda energia, trabalhando 24 horas por dia, e na maioria das vezes, sem dar sinal nenhum de que algo vai mal. 

É aí que mora o desafio: as hepatites virais também costumam ser discretas. Elas podem passar despercebidas por um bom tempo, sem sintomas visíveis. Por isso julho ganhou a cor amarela, a mesma tonalidade que a pele e os olhos podem assumir quando o fígado pede ajuda. 

Hepatite é uma inflamação no fígado. No Brasil, os tipos mais comuns são causados pelos vírus A, B e C, que se espalham de formas diferentes: de água e alimentos até contato com sangue ou relações sexuais. Conhecer essas formas de transmissão já ajuda muito na proteção.  

Para se ter uma ideia do tamanho do problema, segundo o Ministério da Saúde do Brasil, com base em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), as hepatites virais estão ligadas a cerca de 1,4 milhão de mortes por ano no mundo, entre infecções, câncer no fígado e cirrose.

Entra, sim. É o fígado quem processa o álcool que bebemos, e o excesso sobrecarrega esse órgão tão dedicado, deixando-o mais vulnerável a inflamações, acúmulo de gordura e, com o tempo, cirrose. 

Os números por aqui chamam atenção: 44,6% da população adulta brasileira relata o hábito de beber álcool, e 18,3% relata fazer isso de forma abusiva. Não é sobre nunca brindar, é sobre saber a dose certa. Uma dose padrão equivale a 14g de álcool, o que dá, por exemplo, uma taça de vinho de 150ml ou uma lata de cerveja de 350ml. 

Fonte: Ministério da Saúde (SVSA) | “Álcool no Brasil: Consumo em Números”, com base na pesquisa Vigitel. 

  • Vacinar-se. Existe vacina para alguns tipos de hepatite. 
  • Fazer exames de rotina. Um teste simples traz tranquilidade ou um alerta a tempo. 
  • Evitar compartilhar objetos de uso pessoal, como lâminas, alicates e agulhas. 
  • Caprichar na higiene das mãos e dos alimentos. 
  • Usar preservativo nas relações sexuais.
  • Moderar o consumo de álcool, dando folgas ao fígado. 

Cuidar do fígado pode ser algo simples, feito aos poucos, no dia a dia. Julho Amarelo é convite a estar mais atento a esses cuidados.